Uma criança de apenas cinco anos conseguiu ligar para familiares durante um episódio de violência doméstica na comunidade de Olho d’Água, em Ipu, no Ceará. A menina pediu ajuda ao presenciar o pai agredindo a mãe e ameaçando as duas com uma faca. O suspeito foi preso na terça-feira (27), após fugir para uma área de mata.
Uma atitude de coragem de uma menina de apenas cinco anos foi fundamental para evitar que uma tentativa de feminicídio terminasse em uma tragédia ainda maior no município de Ipu, na região da Serra da Ibiapaba, no Ceará. Ao presenciar o próprio pai agredindo violentamente sua mãe e depois ameaçando as duas com uma faca, a criança conseguiu pegar um telefone celular, ligar para familiares e pedir socorro.
O episódio aconteceu na noite da última segunda-feira (26), na comunidade de Olho d’Água. A ligação feita pela menina mobilizou os parentes, que se deslocaram imediatamente até a residência e conseguiram interromper a sequência de agressões.
De acordo com informações relatadas por familiares, a mulher estava retornando do trabalho quando foi surpreendida pelo ex-companheiro, que teria utilizado um pedaço de madeira para golpeá-la nas costas e na cabeça.
Depois das primeiras agressões, o homem teria entrado na residência, pegado uma faca e passado a perseguir a ex-companheiro e a própria filha. Foi nesse momento de extremo desespero que a menina encontrou uma maneira de pedir ajuda.
Mesmo com apenas cinco anos de idade, conseguiu utilizar o telefone e ligar para familiares, relatando a situação e implorando por socorro. A atitude foi decisiva para mobilizar pessoas que poderiam chegar rapidamente ao imóvel.
Ligação da criança foi decisiva para salvar a mãe
Uma sobrinha da vítima, que recebeu a ligação da menina, contou que a criança pediu ajuda porque o pai estava tentando matar a mãe dentro de casa.
Os familiares se organizaram e foram até a residência, alguns levando pedaços de madeira para proteger a mulher e a criança. Ao perceber a chegada das pessoas, o suspeito fugiu pelo quintal.
A atitude da menina, que em meio ao medo e ao desespero conseguiu buscar ajuda, acabou sendo determinante para impedir que o ataque tivesse consequências ainda mais graves.
Suspeito foi preso após fugir para área de mata
Depois de fugir da residência, o homem passou a ser procurado pelas forças de segurança. Na terça-feira (27), ele foi localizado e preso pela Guarda Municipal em uma área de mata nas proximidades do imóvel onde ocorreu a tentativa de feminicídio.
A prisão aconteceu na própria comunidade de Olho d’Água, em Ipu.
Mãe ficou ferida e precisou levar pontos na cabeça
A vítima foi socorrida e encaminhada ao Hospital Municipal Dr. José Evangelista de Oliveira, onde recebeu atendimento médico e precisou levar pontos na cabeça em consequência dos ferimentos.
Na manhã da terça-feira, ela compareceu à Delegacia de Polícia Civil de Ipu para prestar depoimento. Também foi encaminhada para os procedimentos relacionados ao exame de corpo de delito.
Criança está traumatizada e tem medo de entrar em casa
Apesar de ter conseguido pedir ajuda e contribuir para salvar a mãe, a menina ficou profundamente abalada com tudo o que presenciou.
Segundo a sobrinha da vítima, a criança está com medo de entrar na própria residência e também demonstra temor em relação ao pai. A mulher e a filha precisam de acompanhamento psicológico para enfrentar as consequências emocionais da violência.
A familiar também relatou que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e já teria feito ameaças contra a ex-companheiro e a filha, afirmando que mataria as duas e depois tiraria a própria vida.
Caso está sob investigação
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que a ocorrência estava sendo investigada pela Polícia Civil de Ipu. Antes da prisão, a pasta confirmou que o suspeito já havia sido identificado e que as equipes realizavam diligências para capturá-lo.
O caso chama atenção não apenas pela brutalidade da violência doméstica, mas principalmente pela atitude de uma criança de cinco anos que, diante de uma situação de extremo perigo, conseguiu encontrar um telefone, pedir socorro e mobilizar familiares.
Uma ligação feita por uma menina ainda na primeira infância foi fundamental para que a mãe recebesse ajuda. Agora, além da recuperação física, mãe e filha precisam de proteção, acolhimento e assistência psicológica para superar as marcas de um episódio que nenhuma criança deveria jamais presenciar.